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RENOVAÇÃO DO CAFEZAL GARANTE A QUALIDADE DA PRODUÇÃO

O investimento em novas espécies de café aumenta a produtividade e deixa a lavoura mais resistente contra doenças

Por: Leonardo Miranda
31/12/2016

O melhoramento genético do cafezal é uma atividade fundamental para garantir a produção de cafés especiais não só na Fazenda Santa Cruz, mas em todas as propriedades que atendem diretamente o mercado internacional. 

 

Mudas para melhoramento genético da lavoura
 

Josiani Morais, administradora da Fazenda Santa Cruz, conta que se trata de um investimento que vale muito a pena, uma vez que deixa o cultivo resistente a uma das doenças que mais atinge o cafeeiro: a ferrugem.

 

Preparação da terra para o plantio das novas variedades

 

A administradora, sempre atenta às novidades do ramo, observa que nos últimos anos, várias cultivares de café arábica, portadoras de fatores de resistência à ferrugem, foram disponibilizadas por diferentes instituições brasileiras de pesquisa. “Essas pesquisas são fundamentais para quem busca sempre produzir o melhor café”, pontua Josiani.

 


Plantio novas variedades Fazenda Santa Cruz


A última ação para melhoramento genético promovida na Fazenda Santa Cruz foi realizada neste mês de dezembro, quando teve início o plantio de duas novas variedades de café. São elas MGS Aranãs e Catucaí Amarelo 24/137.

 



Plantio novas variedades Fazenda Santa Cruz

 

Vamos conhecer um pouco melhor essas variedades capazes de aprimorar a produção de café:

 

MGS ARANÃS

 


Josiani chama a atenção para a variedade MGS Aranãs, pois reforça o pioneirismo e a visão de negócios da Fazenda Santa cruz. Trata-se de um cultivar muito recente, registrado no Ministério da Agricultura em novembro de 2015 com divulgação e disponibilização de sementes somente em 2016.  “É um cultivar com muito potencial material genético, que se apresenta como ideal para regiões de morro, portanto é ideal para a cafeicultura mineira. Além disso, apostamos no cultivo da Aranãs resistente à ferrugem, tem alta produtividade e se destaca por seus grãos”, expõe Josiani.


A MGS Aranãs é de porte baixo (altura média de 2,7 metros) e a copa em formato cônico. Os frutos maduros apresentam coloração vermelha e as sementes são graúdas de coloração bronze e, quando adultas, verde-escuro brilhante. “Nossas mudas foram adquiridas na EPAMIG de Machado-MG, sob a Coordenação de Gilmar José Cereda, que também e responsável nesta unidade por Melhoramento genético do cafeeiro, além da produção de mudas e semente de café.”

 


A administradora conta que a escolha de uma nova variedade deve ser baseada nos resultados práticos. "No caso da Aranãs, o respaldo veio já com as primeiras safras, plantadas em área experimental no Vale do Jequitinhonha. A cultivar também foi testada com sucesso aqui em nossa região (São Sebastião do Paraíso, Machado e Três Pontas) e Vales Mucuri (Aricanduva). O destaque fica com a excelente adaptação às principais regiões cafeeiras de Minas Gerais e ainda outros estados brasileiros aptos à espécie Coffea arábica. Os experimentos práticos apontaram produtividade média de 56,48 sacas por hectare e excelente qualidade da bebida. Inclusive, testes preliminares de avaliação sensorial apontaram elevada qualidade de bebida (88 pontos na escala, que vai de zero a cem pontos pelos critérios da Brazil Specialty Coffee Association - BSCA). Apresenta notas de frutas secas (damasco), bom corpo e finalização agradável.”, destaca. 

 

Outra vantagem apontada por Josiani para a escolha da variedade está na redução de custos. “A característica de resistência à ferrugem permite economizar defensivos, portanto, incialmente, a expectativa é realizar apenas uma aplicação. E nosso objetivo final é utilizar somente de fungicidas protetores, garantindo um cultivo mais livre de toxinas e um meio ambiente mais saudável dentro da propriedade”, enfatiza a administradora.


Origens da MGS Aranãs: Do sul de Minas pra o sul de Minas


O cruzamento que resultou na MGS Aranãs é o fruto de um longo período de experimentos e evolução. Tudo começou em 1985 no Campo Experimental da EPAMIG em São Sebastião do Paraíso, das cultivares Icatu Vermelho IAC 3851-2 e Catimor UFV 1602-215, ambas portadoras de resistência genética ao agente causador da ferrugem do cafeeiro.

 

 

O campo Experimental de Machado (CEMA) é constituído de duas áreas: a Fazenda-Sede com 36 ha, e o Campo Experimental, área cedida pela Prefeitura Municipal de Machado para desenvolvimento de pesquisas, com 10 ha.


As atividades de pesquisas estão centralizadas na cafeicultura. A Fazenda Experimental é também grande fornecedora de sementes e mudas de café, que são enviadas para várias regiões do Estado e até para o exterior.


Na década de 1930, o presidente Getúlio Vargas decidiu criar centros experimentais no Brasil. Em Machado, foi criado o Campo Experimental do Café, em 1937, que pertencia ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento /Instituto de Pesquisa Agropecuária do Centro-Oeste (IPEACO). Em 1974 foi incorporado à EPAMIG, denominado posteriormente por Fazenda Experimental de Machado.


Curiosidade: Juscelino Kubitschek plantou uma muda de café na Estação Experimental de Machado, em 1953, quando era governador de Minas Gerais.


CATUCAÍ AMARELO 24/137

 

 
Resultado do cruzamento entre as espécie Icatu e Catucaí, é uma planta de porte baixo, com frutos amarelados e resistência moderada a ferrugem. Além disso é uma variedade de alto vigor vegetativo, alto vigor e elevada capacidade produtiva. De modo geral, as cultivares do grupo Catucaí apresentam boa capacidade de rebrota, elevado vigor vegetativo e alta produtividade. Todas as cultivares apresentam bebida de boa qualidade, semelhante à da cultivar Catucaí. As mudas da variedade Catucaí Amarelo 24/137 cultivadas na Fazenda Santa Cruz foram adquiridas do produtor e engenheiro Agrônomo, Guy Carvalho, que produz as mudas através de sementes devidamente selecionadas e inspecionadas. O viveiro do Produtor, tem capacidade para plantio de 100 mil mudas ano.
 


Josiani destaca que a escolha pela variedade Catuai também foi devido sua reação à ferrugem. 


explica Josiani.

Origem Catucaí Amarelo


 MAPA/Fundação Procafé - é oriunda de um cruzamento natural entre Icatu e Catuaí, encontrado no município de São José do Vale do Rio Preto-RJ, em 1988, por pesquisadores do então IBC. Progênies F2 desse cruzamento foram, inicialmente, selecionadas na Fazenda Experimental de Varginha-MG, pertencente ao MAPA/Fundação Procafé. O método genealógico de melhoramento foi utilizado nas gerações posteriores no processo de seleção das melhores progênies. Essas etapas foram realizadas nos municípios de Varginha, Elói Mendes, Manhuaçu, Coromandel e Patrocínio, em Minas Gerais, Vitória da Conquista, na Bahia, e Marechal Floriano, no Espírito Santo, visando sempre selecionar plantas produtivas, com elevado vigor vegetativo e resistentes à ferrugem. Esse programa de melhoramento originou linhagens de frutos amarelos e vermelhos, atualmente em geração F6, as quais foram denominadas de Catucaí, uma combinação das palavras Icatu e Catuaí.

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