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MULHERES NO AGRONEGÓCIO

Pesquisa realizada pelo Cepea (Esalq/USP) entre 2004 e 2015 revelou que a participação feminina no agronegócio cresce a cada ano

Por: Carol Silvério
19/11/2018

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, realizou uma série de estudos referentes ao Mercado de Trabalho do Agronegócio. A pesquisa será divulgada em três volumes, visando avaliar os principais aspectos referentes à atuação da mulher no mercado de trabalho do agronegócio brasileiro, considerando um panorama recente. Os dados apresentados nesta matéria são referentes a primeira pesquisa divulgada. 


Diversas transformações estruturais de naturezas cultural e social ocorridas na sociedade brasileira ao longo das últimas décadas resultaram em aumento da participação da mulher no mercado de trabalho, o que também ocorreu no agronegócio. 


Entre 2004 e 2015, houve uma tendência geral de redução da população ocupada (PO) do agronegócio, com queda de 6,6%. Enquanto o número de homens atuando no setor diminuiu 11,6%, o total de mulheres aumentou 8,3%. Diante desse cenário, a participação da mulher no mercado de trabalho do agronegócio cresceu consistentemente entre 2004 e 2015, passando de 24,1% para 28%, com atuação principalmente nas agroindústrias e nos agrosserviços. Avaliando as posições na ocupação e categorias de emprego, verifica-se que o aumento da participação feminina ocorreu sobretudo na categoria de empregadas com carteira de trabalho assinada, principalmente entre 2009 e 2013.


Quanto às características socioeconômicas das mulheres do agro, verificou-se que o aumento da participação feminina foi impulsionado por trabalhadoras com um maior nível de educação formal, indicando evolução positiva atrelada a empregos que demandam maior qualificação.


Com relação ao nível de satisfação com o emprego (salário, jornada de trabalho e promoção de igualdade de oportunidades e de tratamento), observou-se que o percentual para mulheres no agronegócio (67,9%) é semelhante ao verificado para as mulheres no Brasil que atuam em outros segmentos (67,4%). 


Ao considerar o segmento “dentro da porteira”, apesar da evolução recente do número de mulheres que administram propriedades agropecuárias, o total de mulheres desempenhando essa atividade ainda é baixo: 15,31% em 2015. Vale destacar que a participação feminina é mais acentuada em estabelecimentos ligados a atividades pecuárias (17,05% em 2015). Para os demais segmentos (Insumos, Agroindústria e Agrosserviços), a realidade se repete. Em 2015, a cada 10 dirigentes, apenas três eram mulheres. A mesma proporção é válida para os cargos de gerência.  Embora esses dados tenham se reduzido entre 2004 e 2015, ainda há desigualdade de gêneros quanto à ocupação de cargos de decisão em organizações, seja essa uma propriedade rural, agroindústria ou empresa prestadora de serviços.




Para ter acesso a pesquisa completa, acesse o link  Pesquisa CEPEA (USP)

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