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ENCONTRO CAFÉ ESPECIAL

Grupo formado por grandes produtores, engenheiros agrônomos, professores e universitários realiza encontro para desenvolver a cultura do café

Por: Leonardo Miranda
20/09/2016

O campus de Muzambinho do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas abriu suas portas e foi o cenário para mais uma edição de um encontro que surgiu para troca de informações e técnicas entre instituições de ensino, engenheiros agrônomos e grandes produtores rurais. O Encontro Grupo Café Especial, teve seu incio em 2015, com intuito de aproximar os produtores e técnicos do grupo afim de trocar experiências ocorridas durante Ano Safra. Desta vez, realizado no sábado, dia 17 de setembro, começou às 08h00min e seguiu até o fim da tarde, com aulas teóricas e práticas sobre fisiologia da produção, frutificação e crescimento do Cafeeiro, nova técnica de secagem de café, e sistema alternativo de renovação e podas, o PPCA - Poda Programada em Ciclo do Café Arábica. Aconteceu também a degustação e avalição de amostras por meio de analise sensorial, com ênfase nos resultados das novas técnicas de secagem em teste em algumas das fazendas participantes.


Engenheiros agrônomos, produtores ruais, professores e alunos do IF Sul de Minas

Foto oficial Grupo Café Especial 2016


O engenheiro agrônomo Guy Carvalho, que presta consultoria para os produtores participantes, destaca a importância da parceria com professores do IF Sul de Minas, campus de Muzambinho e campus de Machado, para a realização do evento. “O propósito é trazer o produtor para dentro do Instituto. Queremos colocá-los em contato com os professores e aluno, fazendo a integração entre a realidade no campo e o potencial de conhecimento criado e desenvolvido aqui dentro. Os produtores participam de palestras, levantam dúvidas e levam muito conhecimento daqui para o dia a dia da fazenda, enquanto os professores têm a oportunidade de identificar demandas e aproximar os alunos da prática e os produtores”, argumenta o engenheiro agrônomo. 


Guy Carvalho, engenheiro agrícola


Claudio Bachião Filho, professor do IF Sul de Minas campus de Muzambinho, reforça a ideia do evento como uma atualização técnica com a transferência e multiplicação de tecnologia. “Fato é que o produtor está sempre um passo à frente da academia, portanto nossa missão é alinhar o que eles estão fazendo com o que nós podemos desenvolver no Instituto e também no campo. Desta maneira, atualizamos tanto os produtores quanto o corpo de colaboradores com o que há de melhor na cafeicultura.”, expõe Bachião.


Claudio Bachião Filho, professor do IF Sul de Minas campus de Muzambinho


José Marcos Angélico de Mendonça, professor do IF Sul de Minas campus de Muzambinho e um dos coordenadores do Encontro Café Especial, pontua que os temas tratados estão em pauta na cafeicultura e priorizam a produção de café de melhor qualidade e menor custo. Ele ainda destaca a importância para os alunos dos campus do IF Sul de Minas, que foram acompanhados pelo professor Ivan Caixeta. “É uma sala de aula no campo. Nossos alunos podem entender como a prática é orientada pela teoria e mensurar os resultados.”, comenta. Sobre os produtores participantes, Mendonça pontua que são pessoas abertas ao novo e que sempre estão em busca de um cultivo diferenciado.  “É um encontro de pioneiros que buscam a produção de cafés especiais destinados para atender mercados mais exigentes, mas que também pagam melhor. A presença desses produtores nos enche de orgulho, pois significa o reconhecimento da qualidade do nosso trabalho.”, afirma o professor.



José Marcos Angélico de Mendonça,  professor do IF Sul de Minas campus de Muzambinho


Carmem Lúcia Chaves de Brito, produtora renomada de cafés especiais da fazenda Caxambu, localizada no município de Três Pontas, representa muito bem o espírito dos produtores participantes do evento. Ucha, como é popularmente conhecida, não esconde o entusiasmo ao falar sobre o Encontro.  “É sensacional! Penso que isso é fundamental para nosso ramo. Esse encontro traz muitas discussões em cima de temas relevantes para nosso processo de evolução contínua. A parceira com o Instituto é fantástica, estamos desenvolvendo trabalhos incríveis! Uma instituição como essa, que nos dá todo suporto de pesquisa, tem nos ajudado a dar um salto quantitativo muito importante. Esse tipo de encontro é a alma do desenvolvimento do nosso negócio.” destaca a produtora. 


Ucha (Carmem Lúcia Chaves de Brito), Fazenda Caxambu


Também marcou presença no evento Adolfo Henrique Vieira Ferreira, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e proprietário de outra conceituada fazenda da região,  a Fazenda Passeio, localizada em Campo Belo. Ferreria destaca a importnaica da da união entre os produtores fomentada durante ao Encontro.  "Todos nós trabalhamos com um mesmo objetivo e ao construímos um bom relacionamento, podemos oferecer nossos cafés aos compradores de cafés especiais  de forma organizada e com um padrão de qualidade bem acima da média.  Para nós produtores é importante  agregar valor ao nosso produto de maneira que possamos enfrentar os constantes aumentos de custos.", argumenta o presidente da  BSCA.




Ferreira comenta que o evento vem para estimular a troca de informações e novas tecnologias,  e destaca o alto nível do grupo. "Quando se participa de um grupo de alto nível como este, sempre que ocorrem estes encontros é um momento de aprendizado e  troca de conhecimento. Somos todos desprovidos de vaidade e a única intenção é dividir conhecimentos", destaca Ferreria


Secagem em secador de camada fixa


O primeiro palestrante do dia foi o professor Ivan Caixeta, que veio acompanhado de alunos representando o Instituto Federal Sul de Minas, campus de Machado. Caixeta tratou sobre a secagem do café como um dos fatores de grande relevância em um procedimento de produção de café de qualidade. Ele conta que a qualidade do grão está no pé e que os produtores devem ficar atentos ao levarem esse café para o terreiro, para processamento ou para secagem, pois é nesses processos que a qualidade do café pode ser comprometida. “Procedimentos inadequados comprometam a qualidade obtida no pé de café”, afirma o professor.


Ivan Caixeta, professor Instituto Federal Sul de Minas, campus de Machado


Caixeta apresentou uma tecnologia revolucionária para secagem de café


Alunos do IF Sul de Minas Campus de Guaxupé acompanharam o professor


Depois de passar toda a carreira defendendo métodos de secagem em movimento, Caixeta continua aberto a novos processos capazes de desenvolver a secagem do café. “Acabei encontrando um novo modelo que contraria muitas técnicas estabelecidas no decorrer dos anos. Trata-se de um esquema de secagem de café que pode revolucionar o procedimento nas fazendas. Nele o café fica estático, o que contraria todos os princípios que tínhamos de secagem. Secagem em secador de camada fixa é um modelo novo, uma maneira muito simples econômica e funcional de secar café, mas que precisa ser mais avaliada e testada.”, expõe o professor.


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Todos atentos à apresentação de uma tecnologia que pode revolucionar a secagem de café 


Caixeta ainda destaca que levar aos produtores o desafio de experimentar esse novo método é fundamental para o desenvolvimento do mesmo. “Os produtores precisam trabalhar essa nova tecnologia, buscando mais informações e ajudando na pesquisa.”, afirma.  E quem dá exemplo deste tipo de colaboração é a Fazenda Santa Cruz, que se disponibilizou a testar o novo método de secagem. “É uma parceria muito interessante para obtermos mais informações capazes de provar se esse modelo de secagem funciona e quais são os benefícios alcançados, principalmente em produção, em qualidade e em tempo de secagem.”, salienta Caixeta. 


A Fazenda Santa Cruz se orgulha de estar entre os colaboradores da pesquisa


Para Josiane Moraes, administradora da Fazenda Santa Cruz, conta que Ivan Caixeta apresentou a oportunidade para levar o café da fazenda para o Instituto para fazer a secagem e comparar a secagem feita no terreiro da fazenda. “Começamos no final da safra e só foi possível levar o café de varrição. Na próxima safra pretendemos levar todos os nossos lotes de café: Cereja Descascado, CD2, boinha e o verde para avaliar a eficiência e verificar se realmente haverá diferença na bebida, como aponta a empresa produtora deste modelo de secagem que não movimenta o grão. Pelas amostras avaliadas durante o Encontro, ainda é cedo para apontar se realmente haverá melhora da bebida. E para que a fazenda que tem um gargalo em quantidade de terreiros, esse equipamento ajudaria muito na eficiência da secagem dos cafés da fazenda.”, expõe Josiani


Resíduos da Agroindústria do Café empregados como fertilizantes orgânicos


Após a apresentação do professor Ivan Caixeta, foi a vez de Raquel Vilela da Mata Miranda, aluna egressa do Instituto Federal de Muzambinho, fazer uma breve apresentação da tese de mestrado do Instituto Agronômico de Campinas.


Raquel Vilela da Mata Miranda, egressa do Instituto Federal de Muzambinho


Ela explica que o café e uma cultura perene, e como tal seu cultivo impossibilita a incorporação e cobertura de restos culturais. Raquel explica que isso acontece, pois os frutos, que concentram a maior quantidade de nutriente, são exportados. Neste sentido, o objetivo é de uma prévia apresentação de sua tese de mestrado no encontro foi buscar conscientizar os produtores quanto às vantagens de buscar alternativas para aproveitar ao máximo os resíduos gerados pelo cultivo de café. “Como os nutrientes estão presentes em todos os tecidos vegetais como folhas e galhos, tratamos de tecidos vegetais que não são consumidos e acabam descartados irregularmente.”, argumenta Raquel.


Raquel faz mestrado no Instituto Agronômico de Campinas


Como exemplo, Raquel cita é a agua da despolpa, na qual foi observado um elevado teor de fosforo e que acaba em estradas ou lagos em 99% dos casos verificados no Brasil. A mestranda ainda destaca que esse descarte inapropriado traz muitos prejuízos para meio ambiente, incluindo contaminação de solo, água e lavoura. “Quando essa água é lançada irregularmente no solo, ela pode causar salinização ou o aumento indesejado dos teores de nutriente. Agora, se for descartada em lagoas, essa água pode causar a eutrofização do habitat, resultado do aumento da matéria orgânica e da diminuição da quantidade de oxigênio, que impossibilita a vida aquática.”, pontua Raquel.


Após sua apresentação, Raquel deu uma atenção especial para a equipe da Fazenda Santa Cruz


Degustação


Na primeira etapa de degustação do dia, cafés de 10 propriedades diferentes foram avaliados. Cumprindo todos os critérios do processo, primeiro os inscritos para participarem avaliaram o aroma do pó do café.


Primeiro o café é moído

Avaliação do aroma do café torrado


Depois foi adicionada água quente para a avaliação da bebida. A avaliação final foi um verdadeiro festival de aromas, cafés com variadas presença de sabores que individualizam e caracterizam a produção de cada uma das fazendas participantes.



Alunos têm a oportunidade de aprender na prática


Guy Carvalho ao lado das produtoras e produtores de café especiais


A segunda etapa de degustação aconteceu logo depois do almoço e avaliou o café de outras seis fazendas.


Administradora e degustador da Fazenda Santa Cruz


Para exemplificar como é feita é a avaliação final perguntamos para Ivan Carlos de Santana, degustador da Santa Cruz, como ele descreve o café produzido na Fazenda avaliado durante o evento. “É um café plano com características de caramelo, castanhas uma frutinha leve e os naturais destacam pelo frutado, com um frutado exótico. Um café marcante de altíssima qualidade características da nossa região. Um café tipicamente sul mineiro.”, avalia Santana. 




Produtores conscientes de todos os processos


Compartilhando conhecimento produzida na instituição

Após a segunda etapa de degustação, foi à vez dos professores do IF Sul Minas campus de Muzambinho apresentarem novas alternativas de cultivo. Primeiro o professor Claudio Bachião deu uma verdadeira aula sobre poda com manejo da parte aérea e fisiologia do cafeeiro. Bachião comenta que os produtores estão sempre atendo às novidades. “Eles estão sempre um passo a nossa frente, o que ressalta a importância da interação.”, comenta. O professor ainda explica que os tipos de poda devem atender as necessidades específicas de cada cafeeiro, sempre aplicando inovações para renovação da lavoura. “A atenção para a questão pode influenciar em até 28% mais frutos no pé.”, enfatiza Bachião.


Claudio Bachião deu uma verdadeira aula sobre poda


Dando continuidade à explanação, o professor José Marcos explica que a poda adequada influencia diretamente na alta produtividade anual do cultivo. “A bienalidade da colheita, que até a poucos anos era tida como fato imutável, graças às novas técnicas de poda e manejo já pode ser contornada, obtendo um cafezal que produz com a mesma intensidade todos os anos.” destaca José Marcos.


Mendonça explica como fazer podas que aumentam a produtividade


E para fechar com chave de ouro, Guy Carvalho, coordenador geral do Grupo Cafés Especiais, que também é produtor de café, e consultor de todos produtores presentes, deu um “show’’ de conhecimento e interpretação das ocorrências da Safra 2016. Ele explica que este encontro vem em um ano atípico, de colheita muito complicada. “Tivemos muita chuva no inicio e o comportamento do café foi muito diferente do que é normal. Fato é que prejudicou a qualidade e a produtividade, resultando em expressivos prejuízos e nós não alcançamos o padrão que pretendíamos alcançar”, expõe.


Guy Carvalho fecha o Econtro com chave de outro


Entretanto, o engenheiro agrônomo destaca que em momentos de dificuldade são fundamentais para o desenvolvimento de novas pesquisas e técnicas capazes de driblar as dificuldades.  “Esses prejuízos servem para revermos posições que acreditávamos estarem corretas e esse encontro vem exatamente para mostrar para os produtores que existem outros caminhos. Podemos pensar de outras formas e inovar, agregando medidas corretivas para os problemas identificados.”, afirma Carvalho.


Finalizando  o Encontro, todos os envolvidos participaram de uma mesa redonda para pontuar os fatos mais relevantes do dia e para levantamento de dúvidas e outras particularidades dos produtores.


  Mesa redonda encerra as atividades do Encontro


Agradecimento especial:


Por Josiani Morais


Guy é considerado por todos envolvidos no grupo como um dos melhores consultores e engenheiros agrônomos do Brasil, com experiência extremamente voltada para produção de cafés com ênfase em produtividade, com alta qualidade e tecnologia de ponta nos tratos culturais. Ele procura estar por dentro de fatos relevantes das pesquisas em todas áreas do café, para que possa levar aos seus consultados e já pôr em pratica soluções que muitas vezes levam anos para chegar ao produtor.



Guy Carvalho, prestigiado engenheiro agrônomo


É uma pessoa inovadora, que não se cansa na busca de melhoria continua, e a cada ano promove encontros e levar, seu conhecimento e fatos novos que possibilitem a melhor condução da propriedade e da produção de cafés.


A todos fica admiração e respeito a esse homem que verdadeiramente tem revolucionado a cafeicultura do sul de minas.


Saímos do encontro recarregados e com muito ânimo para enfrentar os problemas e aplicar as novas técnicas expostas nesse encontro. A produção de café demanda muito trabalho mas para esse grupo a paixão e maior que qualquer obstáculo que nos impõe o homem ou a natureza, aponta Josiani e tem certeza que e o sentimento de todos do grupo ou não estariam ali.

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