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A COLÔMBIA SAI DA BOLSA DE NY COMO UM ATO DE PROTESTO DEVIDO AOS BAIXOS PREÇOS PAGOS PELO CAFÉ

A ideia é fazer uma retenção de vendas como um ato simbólico, já que os preços são os mais baixos em um longo tempo

Por: Carol Silvério
27/08/2018

A data de hoje, 27 de agosto de 2018, é histórica e será sempre relembrada pela cafeicultura da Colômbia. Após 138 anos, hoje será o primeiro dia em que os cafeicultores do país se desconectarão da Bolsa de Valores de Nova York como referência de preços e, em protesto, se recusarão a vender seu precioso café a preço de perda.


É nítida a situação do atual mercado do café brasileiro, no qual a desvalorização da moeda e alta expressiva do dólar aumenta consideravelmente o preço de insumos, como adubos e defensivo, nesta época do ano em que quase 90% das lavouras já foram colhidas. O mercado acredita que possui estoque suficiente, mas o preço repassado ao produtor é abusivo. Não há como sobreviver com um custo que se aproxima de R$380 para produzir uma saca e ter ofertas abaixo desse preço ao produtor.




Mas por que o Brasil, considerado maior produtor dos grãos no mundo, não se une a Colômbia para protestar e buscar políticas de preços justos?


“Não dá para assumir sozinho a responsabilidade de produzir, ser sustentável, certificado e ter que entregar seu bem mais precioso - o café - para manter o estoque de exportadores que querem ter altos lucros sem remunerar de forma justa o produtor”, diz Josiani Morais, gestora da Fazenda Santa Cruz.


Não existe mágica para produzir! Com a alta de todos os setores, combustíveis, impostos, adubos e insumos, o custo em 2018 para o produtor teve um aumento de mais de 30% em relação a 2017 e os preços praticados no mercado são os mesmos de 10 anos atrás.


Veja o papel do Brasil em produtividade em relação à Colômbia:


Ano da colheita

2015/16

2016/17

Área

Brasil

(A/R)

50.376

53.000

2.210.000

Vietnã

(R/A)

28.737

25.500

650.000

Colômbia

(A)

14.009

14.500

950.000

O Brasil é o maior exportador com cerca de 30% do total exportado. Vietnã e Colômbia são também grandes exportadores com 22 e 11% da exportação total mundial, respectivamente


Não deveria o maior produtor mundial de café também estar preocupado em ajustar os preços do produto para valorizar os cafeicultores? Até quando o produtor irá pagar a conta sozinho? Por que o lucro tem que ficar somente com um dos lados? 


Muitos produtores têm desistido da cafeicultura por medo do endividamento porque o lucro não existe mais, pois os ganhos ficam com a cooperativa ou no banco para pagar custeio. Além disso, os produtores acabam sendo reféns de especuladores que promovem notícias falsas de grandes safras para comprar café a preços baixos, o que acaba esmagando-os. 


Parabéns ao Comitê Diretor da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) pela coragem de barrar a cotação estipulada pela Bolsa de Nova York, pois somente o produtor é capaz de avaliar o real preço do café.  Os cafeicultores amam o que fazem e desejam continuar na atividade, mas o mercado está fazendo com que muitos desistam do seu sonho verde. Valorizar iniciativas como essa pode ser a mudança que o mercado de café tanto necessita. 




Fontes de Pesquisa:

 

AgnoCafé - Após 138 anos, colombianos se desconectarão da Bolsa de NY na segunda feira


Valor Econômico - Federação colombiana fala até em retenção de café para conter preços


 Relatório sobre o mercado de café/maior de 2018 - Organização Internacional do Café

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